quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Comprar ou arrendar casa para viver?

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Arrendar custa menos dinheiro no presente. Mas comprar pode significar menos preocupações e despesa no futuro. 


Arrendar casa era mais barato do que comprar em 2007, quando a equipa da Dinheiro & Direitos analisou os custos da compra e do arrendamento. Em 2010, com o acesso ao crédito a complicar-se, compensava comprar para quem tinha algumas poupanças e não precisava da banca. Hoje, o mercado está em alta: os preços de venda da habitação estão em ascensão, os juros do crédito baixos e as rendas muito elevadas, principalmente nas cidades que beneficiam do turismo. Para quem pretenda um imóvel para residir, compensa comprar ou arrendar? A revista Dinheiro & Direitos voltou ao terreno e fez as contas, considerando um T2 com 100 m2 e características semelhantes em Lisboa, Porto, Braga, Castelo Branco e Faro.

Resposta está nos custos.

 Os preços altos dos imóveis para quem quer comprar estão a ser aliviados pelas baixas taxas de juro dos créditos à habitação, graças à Euribor historicamente baixa, mesmo em valores negativos. Mas a estes valores há que somar uma série de custos: despesas com o processo de crédito, impostos, escritura, seguros, comissões bancárias. Depois, o valor do condomínio, das obras, e mais impostos. “Custa muito, literalmente, ser proprietário. Bem mais do que ser arrendatário, a quem cabe pagar, basicamente, uma caução inicial e uma renda mensal, por norma atualizada todos os anos ao ritmo da inflação”, defendem os autores do estudo da publicação da Deco Proteste. 

No caso de Lisboa, para comprar uma casa precisa de 56 mil euros, 20% do preço de aquisição. A este custo deve somar gastos notariais e de registo, o imposto municipal sobre as transmissões onerosas de imóveis (IMT), imposto de selo sobre o valor da aquisição (0,8%) e do crédito (0,6%), e ainda as despesas por conta das comissões iniciais referentes ao empréstimo. Feitas as contas ao mês, a fatura da compra é ligeiramente mais leve. E a isto somando a prestação aos prémios anuais dos seguros de vida e multirriscos exigidos pelo banco e ainda as despesas com o condomínio. 

No caso das contas anuais, por causa do imposto municipal de imóveis (IMI), obrigatório para quem compra casa, o arrendamento revelou-se menos caro. E ainda é possível deduzir no IRS 15% das rendas suportadas, com o limite anual de 502 euros. Ao fim de 30 anos, o estudo conclui que comprar casa em Lisboa é mais vantajoso: gastam-se menos 50 mil euros. 

Em Braga, por exemplo, vale a pena comprar, apesar de estarmos a falar de 20 euros de diferença entre a prestação e a renda, e de 16 mil euros de poupança ao fim de 30 anos. No Porto e em Faro compensa comprar, pensando nos custos de curto, médio e longo prazo. 

Conclusão: arrendar vem com menos preocupações no presente. Está-se livre de várias despesas iniciais (IMT, imposto de selo, escritura, registos), periódicas (IMI e condomínio) e outras ocasionais, como obras de conservação do imóvel. Além disso, permite mudar-se quando quiser, desde que avise o senhorio no prazo que ficou definido no contrato. Mas comprar pode significar menos preocupações no futuro. Se na idade da sua reforma já tiver o empréstimo ao banco saldado, terá uma casa e menos uma despesa – a cereja em cima do bolo – e possui património para deixar aos herdeiros.

fonte: Dinheiro Vivo 

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